• O que o fim da escala 6×1 vai exigir das empresas em termos de recrutamento

    Poucas mudanças nas relações de trabalho têm potencial para provocar impactos tão amplos na gestão de pessoas quanto o fim da escala 6×1.

    Embora o debate tenha se concentrado nos aspectos jurídicos e trabalhistas da proposta, existe uma discussão igualmente importante que começa a ganhar espaço nas empresas: como manter a operação funcionando em um cenário de redução da jornada de trabalho?

    Para organizações que dependem de equipes atuando todos os dias da semana, como varejo, saúde, logística, hotelaria, alimentação e segurança privada, essa não será apenas uma mudança na legislação. Será uma mudança na forma de planejar pessoas, distribuir equipes e estruturar o recrutamento.

    Em maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais e extingue a escala 6×1. A proposta recebeu 472 votos favoráveis no primeiro turno e 461 no segundo, seguindo agora para análise do Senado Federal.

    Independentemente da conclusão da tramitação legislativa, uma coisa já é certa: empresas que operam em escala contínua precisarão repensar sua estratégia de gestão de pessoas.

    O desafio não será apenas reorganizar escalas

    Quando se fala na redução da jornada de trabalho, a primeira preocupação costuma ser reorganizar os horários das equipes. Na prática, esse será apenas o começo.

    Empresas que funcionam sete dias por semana precisarão recalcular o dimensionamento das equipes, revisar escalas, redistribuir jornadas, reavaliar indicadores de produtividade e, em muitos casos, ampliar seu quadro de colaboradores para manter o mesmo nível de atendimento e operação.

    Em outras palavras, parte das organizações precisará contratar mais pessoas para entregar exatamente os mesmos resultados. Isso transforma o recrutamento em uma questão estratégica.

    Contratar ficará ainda mais desafiador

    Se ampliar equipes já representa um desafio em condições normais, esse cenário se torna ainda mais complexo quando o mercado enfrenta escassez de profissionais qualificados.

    Segundo a pesquisa Escassez Global de Talentos 2026, do ManpowerGroup, 81% das empresas brasileiras relatam dificuldades para encontrar os profissionais de que precisam, percentual superior à média global, de 74%. O levantamento também mostra uma mudança significativa nos últimos anos: em 2018, esse índice era de apenas 34%.

    Isso significa que o desafio não está apenas em abrir novas vagas, mas em encontrar pessoas preparadas para ocupá-las.

    Quando muitas empresas passam a contratar ao mesmo tempo, a disputa pelos profissionais mais qualificados se intensifica. Quem deixar para iniciar esse movimento apenas quando as mudanças entrarem em vigor provavelmente encontrará um mercado ainda mais competitivo do que o atual. 

    Recrutamento deixa de ser uma resposta e passa a ser planejamento

    Durante muito tempo, recrutar significava responder a uma necessidade imediata: surgia uma vaga, a empresa iniciava o processo seletivo e buscava preencher a posição o mais rápido possível.

    Embora esse modelo tenha atendido às demandas de um mercado menos competitivo, ele se mostra cada vez menos eficiente diante de um cenário em que encontrar profissionais qualificados exige planejamento, inteligência de mercado e capacidade de antecipação. 

    Mudanças estruturais, como a possível extinção da escala 6×1, exigem planejamento antecipado. Antes mesmo de abrir uma vaga, será necessário entender quais funções serão mais impactadas, quantos profissionais poderão ser necessários e quais competências serão indispensáveis para sustentar a operação.

    Mais do que preencher posições, o recrutamento passa a apoiar decisões estratégicas do negócio.

    O risco de contratar pela urgência

    Outro efeito esperado é o aumento da pressão sobre os processos seletivos. Quanto maior a necessidade de contratação, maior tende a ser a tentação de acelerar decisões para evitar impactos na operação.

    Esse movimento, porém, costuma gerar um problema ainda mais caro.

    A pressão para preencher rapidamente as escalas não pode comprometer a qualidade das contratações. Decisões tomadas apenas para atender uma necessidade imediata costumam resultar em baixo desempenho, dificuldades de adaptação, desligamentos precoces e aumento do turnover.

    Como encontrar profissionais qualificados já exige tempo, investimento e um processo seletivo bem estruturado, uma contratação equivocada significa voltar à estaca zero poucos meses depois, assumindo novamente os custos e o desgaste de todo o processo. 

    A discussão também passa pela produtividade

    Existe outro aspecto que merece atenção: a redução da jornada não significa, necessariamente, redução da capacidade produtiva, mas isso exigirá empresas mais eficientes.

    Processos bem definidos, lideranças preparadas, tecnologia, comunicação clara e equipes altamente qualificadas passam a exercer um papel ainda mais importante quando o tempo disponível para produzir se torna menor.

    Nesse contexto, produtividade deixa de ser consequência do número de horas trabalhadas e passa a depender cada vez mais da qualidade da gestão.

    Quem começar a se preparar agora terá vantagem

    Independentemente do calendário de tramitação da PEC no Senado Federal, as empresas já possuem elementos suficientes para iniciar seu planejamento.

    Esperar a aprovação definitiva para revisar processos, recalcular equipes ou estruturar uma estratégia de recrutamento pode significar entrar em um mercado ainda mais competitivo, disputando profissionais escassos ao mesmo tempo que centenas de outras organizações.

    Empresas que anteciparem esse movimento terão mais tempo para revisar sua estrutura, fortalecer sua marca empregadora, desenvolver lideranças e construir processos seletivos capazes de responder às novas exigências do mercado.

    Mudanças legislativas costumam ser lembradas pelos seus efeitos imediatos, mas seus maiores impactos aparecem na gestão. No caso da escala 6×1, a principal transformação não estará apenas na jornada de trabalho, e sim na forma como as empresas atraem, selecionam, desenvolvem e retêm pessoas. 

    Na New Job People Consulting, acreditamos que as melhores contratações não acontecem sob pressão. Elas são resultado de planejamento, inteligência de mercado e uma estratégia de recrutamento alinhada aos desafios que as organizações enfrentarão nos próximos anos.

    Fale com o nosso time

    Entre em contato pelo WhatsApp, e-mail ou preencha o formulário:






      Preencha o formulário e cadastre seu currículo:









        Compartilhe: